Pequeno
Este post não vai ser engraçado.
Sabe Marajó? Da novela?
Então, minha avó tem casa lá desde pequena, e desde que me entendo por gente passei as férias lá, da infância até casar.
O caseiro, que chamávamos de Tio Bena, casou com a Tia Antonia, eles eram aquele casal que a gente se enfiava na casa deles pra comer pão nativo com café, da infância até a volta da balada.
Ela não podia ter filho, então eles adotaram , o Cláudio e o Dani, a quem chamávamos de primos. A cada verão nós cresciamos e eles também. Ali juntinhos.
Só que cada um foi pro seu lado, a gente parou de achar graça na vida bucólica de Salvaterra.
Aí quando todos tínhamos uns 28 anos o Cláudio morreu de acidente na estrada que liga a balsa á cidade.
Depois a tia Antonia faleceu (de cancer e de tristeza)
Uns anos atrás o Tio Bena foi atacado por um enxame de abelhas e morreu de choque.
Sobrou o Daniel, casado, com 3 filhos.
E a esposa, enlouqueceu, é, de bater com tijolo na cabeça. Foi internada.
E neste finds, o Daniel faleceu, de acidente de moto, na mesma estrada que o irmão.
Acabou ne?
Não, restaram 3 crianças de 7 a 10 anos, que cozinham, que se viram e que estão sozinhas no mundo.
Sozinhas no mundo, a coisa mais aterrorizante de se dizer pra uma criança.
Meu tio foi lá e levou ao conselho tutelar, que não fez nada, tão entrado em contato com parentes da mãe.
E daí chega aquela hora da reflexão em que momento tudo começa a dar errado?
Chega a dar aquele medão, olhar pros filhos e pensar.. e se?
O tipo de parto, o tanto de peito, o modelo de educação adotado pela escola, o tipo de coisa que se deixa ver na tv, a comida natureba ou os refris, tudo fica tão pequeno perto disso.
Tudo pequeno.



